Os pais revolucionários desejavam ter a vida das grandes personalidades, conhecê-las, estar no centro das revoluções, erguer bem alto o cartaz que assinalou aquela manifestação inesquecivel.
Os irmãos mais velhos desejavam um emprego estável, ou um emprego qualquer... Nos dias que correm não se pode contar com mais do que isso. Eles desejavam (e achamos que ainda desejam) sair de casa e comprar um carro.
Os avós desejavam que tudo voltasse ao que era dantes. "Com o Salazar é que estávamos bem! Podem dizer mal dele à vontade, mas pelo menos tinhamos os cofres cheios de ouro!!!", "Antigamente o pão era barato, antigamente podiamos ir a pé, sem corrermos o risco de sermos assaltados à frente da esquadra, etc".
Nós, simples aprendizes de laboratório e novatas nesta cena da literatura, escrevemos sobre o que desejamos. Não andamos aí a espalhar aos quatro ventos que gostávamos de ganhar o Euromilhões e que adorávamos que a segurança social não acabasse dentro de poucos anos.
É certo que o dizemos, assim baixinho, só para os que estão próximos, dizemo-lo para quando morrermos, alguém saiba que seria agradavel ser galardoada com prémios e dias nacionais, esquinas e quiçá avenidas, hospitais e jardins!!! Queremos o que Inês de Castro teve. Glória.
Será pedir muito?