Ela vem e vai.
VEM:
Quando bate à porta, bate devagarinho, sustendo a respiração; vem, depressinha, sem rodeios, possui-me pela mão, entra-me suavemente de rompante na cabeça, manipula o que digo, o que faço, encantando o pensamento e fechando as cancelas para tudo o resto. Sou dela, na brevidade de um instante...
VAI:
Vai, como se não tivesse vindo de todo, sem anunciar a partida, arrastando os laivos que escapam daquilo que dela quer permanecer comigo, agarrando-se ao movimento ritmado da mão sobre o papel, o tampo da mesa, uma folha improvisada, perdendo-se a meados; oblivia-se o seu sentido primário. Fica a memória daquilo que ela podia ter sido, a promessa de um retorno semelhante, mas nunca igual.
Ela parte, eu fico à espera.
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Um comentário:
Uau, é o que tenho a dizer. Sei que não é muito eloquente, mas é o que há!
=)
Inspiração, aquilo a que nos entregamos de corpo e alma.
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