Soaram os primeiros acordes. Mentira. Ainda se afinam as guitarras, verificam-se as cordas e o volume do som. Foi nessa altura que eles se conheceram, ele e ela.
Ele com a sua gravata às riscas e cabelo escorrido sobre a cara; ela com uma saia axadrezada e olhos azúis saltitões de luminusidade.
Agora sim. Os primeiros acordes foram dados, um solo de guitarra solene; um primeiro beijo foi partilhado. Lento e desleixado que os apanhou de surpresa, tal como o início da batida da bateria, aquele 1, 2, 3 antes do começo.
A voz amplificada pelo microfone fez ecoar palavras como gosto de ti e acho-te interessante, palavras essas que voaram para os ouvidos de ambos.
A música parecia ter dinâmica e bom ritmo, a letra da mesma é agradável ao ouvido; bate-se o pé e fecham-se olhos. Mas depressa começa o baixo a vir abaixo. O som torna-se, não tanto insuportável, mas talvez um pouco aborrecido.
O vocalista faz o melhor que pode, também eles o fizeram. Mas, por coincidência ou não, a música acaba, não tão bem quanto podia ter acabado. Soltam-se lágrimas, a banda agradece e o casal separa-se.
Não se pode viver de música. Não há nenhuma que dure para sempre.
(Só os Oasis, que parecem nunca acabar.)
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Um comentário:
Gosto muito do texto.
Realmente, não se pode viver de música nos tempos que correm. Só se forem uma Beyoncé ou um Kanye West, que sobrevivem graças às regalias dos direitos de autor e de sucessivos hits musicais, que de bom nem o nome têm.
Os Oasis não acabam e´nquanto já deviam ter acabado.
Não há música nenhuma que dure para sempre. As dos Mars Volta são, sem dúvida alguma, bastante longas.
Este comentário está a ficar demasiado crítico. Já chega.
O casal da história não tinha hipótese nenhuma. Notou-se isso do início. Os primeiros acordes são cruciais.
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