Anabela não se considerava uma pessoa romântica. Mas quando o Romance lhe bateu à porta, ou antes, tocou à campainha, fazendo ecoar um barulho estridente pelas divisões, ela não teve outro remédio que convidá-lo a entrar, nem que fosse por uma questão de boa educação.
Ele entrou, arremeçando sorrisos calorosos, palavras agradáveis e propostas sedutoras.
Anabela não estava habituada a ter visitas em casa: era péssima nisso. Quando andava na escola, era a rapariga típica de óculos redondos e borbulhas bexigosas, que se sentava ao fundo da sala sozinha; que passava os intervalos a um canto a comer fruta. Só teve um namorado, o Luís, génio da matemática e do trombone, mas, mesmo assim, nao tinha gostado verdadeiramente dele. Ela nunca tinha sequer vislumbrado o Romance, contudo, ali estava ele, sentado na poltrona forrada a plástico da sala, bebericando uma chávena de chá, que, supostamente, ela lhe dera.
Após vários minutos de resistência, Anabela foi coargida e deixou-se levar. Os prometidos beijos melosos, as carícias apaixonadas, os gestos arrebatadores e as súplicas doutro mundo foram cumpridos. E como o que é prometido, é devido, Anabela deu, de bom grado, os 500 €, incluindo taxas, juros e a quota parte do chulo.
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3 comentários:
Mas não há esperanças para quem usa óculos? (Vera esconde rapidamente os seus) ^^
Bom texto. =)
I liked it!
Acho que para quem usa óculos há esperança. Não há é para o Romance. :/
Oh well...
Mas dificilmente me contentarei apenas com o que a Anabela teve.
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