Ontem, por volta das 22h, durante uma discussão acalorada sobre as hipóteses de trabalho da Floribela e uma tentativa fútil de escutar as transmissões dos barcos pela rádio, apercebi-me que, não obstante a ausência da bandeira verde, as pessoas continuam a aventurar-se pelo mar adentro.
São parvas e têm a mania que sabem nadar muito bem. Só pode.
Embora o salitre colado ao exterior do vidro me impeça de ver claramente a praia, assunto que, de momento, foi resolvido por uma esponja e por uma avó dada à limpezas, ocorrem-me várias situações, em que, se as pessoas tivessem dado olhos (e não ouvidos, como seria de esperar) à cor da bandeira, teriam sido evitadas:
- os surfistas que partem de prancha na mão, besuntados, à indio, de protector solar, enfrentando as ondas, sem se aperceberem que não são um rival à altura;
- as crianças, para as quais praia não é praia sem um mergulho repleto de areia nas partes baixas;
- adolescentes irritantes, convencidos que sabem fazer skimming;
- velhotes que, sem querer, são arrastados pela maré, necessitando da ajuda dos nadadores salvadores (que descontraem alegremente no café) e não dos gritos incessantes de turistas e nativos que se juntam para observar a triste cena, que nunca lhes poderia acontecer a eles.
(essencialmente, o que pretendo dizer é que todos aqueles que agem de forma irresponsável, não obstante a sua idade, nos meses de Verão, estão sujeitos a diversos perigos, que seriam perfeitamente evitados, se seguissem regras básicas)
São coisas que acontecem, calculo. No entanto, acho prudente dar uma vista de olhos à bandeira antes de pôr um pé na água e esbarrar toneladas de protector nas costas, cara, ombros e nos restantes membros, aliviando o trabalho nas urgências e no departamento de oncologia, diminuindo os telefonemas para o 112, podendo os enfermeiros e médicos, deste modo, dar primazia àqueles que sofrem de facto de doenças como aneurismas e síndroma de Wilson.
Bom Verão!
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Um comentário:
Incrivelmente forte, incrivelmente verdadeiro. Ouch!
:P
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